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Atraso na fala: quando procurar avaliação?

Saiba reconhecer sinais de atraso de linguagem na infância e entenda a importância da audição e da intervenção precoce.

Criança pequena interagindo e se comunicando com um adulto
Conteúdo revisado por profissional

Cada criança desenvolve a linguagem em seu próprio ritmo. Ainda assim, existem marcos importantes que ajudam a identificar quando a comunicação está evoluindo de maneira esperada e quando é necessário investigar. Esperar indefinidamente que a criança comece a falar pode atrasar o reconhecimento de dificuldades que se beneficiam de intervenção precoce.

Fala e linguagem são a mesma coisa?

Não exatamente. A fala envolve a produção dos sons e das palavras. A linguagem inclui compreender mensagens, utilizar palavras e gestos, compartilhar interesses e se comunicar com outras pessoas.

Por isso, a avaliação não considera apenas quantas palavras a criança pronuncia. Também observa se ela compreende orientações, responde ao nome, aponta para mostrar objetos, imita ações e busca interagir.

Quais sinais merecem atenção em cada idade?

Por volta de 12 meses, é importante observar gestos comunicativos, como apontar ou acenar, além da resposta a sons e às interações. Aos 18 meses, espera-se evolução do repertório de palavras e da comunicação intencional.

Por volta dos 2 anos, a maioria das crianças já combina pelo menos duas palavras, como "mais água", além de compreender solicitações simples. Esses marcos são referências para acompanhamento, não diagnósticos isolados.

Entre os sinais que merecem avaliação estão pouca intenção comunicativa, ausência de gestos, dificuldade importante de compreensão, vocabulário muito limitado para a idade e dificuldade persistente para combinar palavras.

A perda de palavras ou habilidades sociais que a criança já possuía é um sinal particularmente importante e não deve ser atribuída apenas a uma fase.

O que pode causar atraso de linguagem?

As possibilidades incluem alterações auditivas, transtornos do desenvolvimento da linguagem, condições do neurodesenvolvimento e outros fatores clínicos. Crianças com dificuldade auditiva podem parecer desatentas ou responder de maneira inconsistente aos chamados.

A avaliação inicial inclui histórico gestacional e neonatal, marcos do desenvolvimento, comportamento comunicativo, exame clínico e, quando indicado, avaliação audiológica e fonoaudiológica.

A presença de atraso de fala, isoladamente, não significa diagnóstico de autismo. A comunicação deve ser analisada junto com outros aspectos do desenvolvimento.

Como estimular a comunicação no dia a dia?

Converse com a criança durante atividades comuns, nomeie objetos, leia livros ilustrados, cante músicas e dê tempo para que ela responda. Brincadeiras presenciais e interações responsivas favorecem oportunidades de aprendizagem.

Evite transformar cada interação em uma cobrança para repetir palavras. O objetivo é criar oportunidades naturais de comunicação.

Reduzir a exposição passiva a telas pode ajudar a abrir espaço para conversas e brincadeiras. Entretanto, essas medidas não substituem investigação quando existem sinais de atraso.

Quando procurar avaliação?

Atenção:

Procure o pediatra se houver atraso nos marcos de comunicação, dificuldade de compreensão ou suspeita de perda auditiva. A perda de palavras ou de habilidades previamente adquiridas exige avaliação sem demora. Não é necessário esperar a criança completar 3 anos para procurar orientação.

Perguntas frequentes

Meninos começam a falar mais tarde? Existem diferenças individuais, mas o sexo da criança não justifica ignorar sinais de atraso.

Uma criança bilíngue pode ter atraso? O bilinguismo, por si só, não causa transtorno de linguagem. A avaliação deve considerar todas as línguas utilizadas pela criança.

Toda criança com atraso precisa de fonoaudiólogo? A necessidade é individualizada, mas a avaliação fonoaudiológica costuma ser importante quando há suspeita de atraso significativo.

Transparência editorial

Referências e fontes consultadas

  1. CDC. CDC Developmental Milestones.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação individual realizada por profissional habilitado.

Dr. Alex L. Jimenez

Conteúdo revisado por

Dr. Alex L. Jimenez

Médico de Família e ComunidadeRQE 102019
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